— August 12, 2026

Somos eternos observadores das transições e adoramos decodificar para nossas coleções o que sentimos durante a prática de observar. Descubra como os elementos visuais da nova campanha dialogam com a investigação desses artistas. LEIA MAIS

Nada permanece exatamente igual depois da travessia do tempo.

O ponto de partida do nosso Preview Verão é o convite a sentir aquilo que ainda está em começo de viagem. Uma grande e longa viagem. 

No intervalo para um novo estado, por vezes o tempo age silenciosamente. Deixa marcas sobre as superfícies sem representar desgaste, e sim, percurso. Orquestra sensações antes conhecidas deixando espaço para uma nova forma do sentir. A relação de investigação, entrega e transformação também acontece com a arte. Em pesquisas no atelier, chegamos ao trabalho de dois artistas japoneses que dialogam com esse estado.

Escultor, designer e paisagista nipo-americano, Isamu Noguchi (1904-1988) é um dos nomes mais importantes do design do século XX. Sua obra explora o encontro entre natureza, matéria e forma, transitando entre escultura, mobiliário, arquitetura e iluminação. 

Em sua série de luminárias Akari (anos 50), utiliza papel washi artesanal e bambu para transformar a luz em uma presença suave e acolhedora. Em suas esculturas de pedra e mármore, cria formas orgânicas, simples e atemporais, inspiradas pela ação do tempo e da natureza. 

Conexões com a coleção: inspira o uso do papel como matéria, o estudo das formas escultóricas, dos volumes e da relação entre luz, sombra e delicadeza. Explora a convivência entre extremos: papel e pedra, leveza e peso, transparência e opacidade.

Ele reduz as formas ao essencial. Não busca ornamentação, mas uma presença silenciosa e envolvente. 

Na obra de Noguchi e nas peças Handred:

- volumes suaves e arredondados, sem rigidez;

- construção precisa, mas visualmente leve;

- tecidos que filtram a luz;

- paleta de cores inspirada na pedra natural: mármore branco, granito, areia, carvão, jade e tons minerais.

Os elementos visuais que atravessam a campanha partem da mesma investigação. O papel deixa de ser apenas suporte e passa a ser escultura viva: granula, filtra a luz, cria sombras, amassa, é sustentação e revela que a delicadeza também pode ser rigorosa. 

Somos eternos observadores das transições e dos começos e adoramos decodificar para nossas coleções o que sentimos durante a prática de observar. O fotógrafo contemporâneo japonês Masao Yamamoto (1957-) é conhecido por produzir pequenas fotografias que parecem memórias preservadas pelo tempo. 

Suas imagens passam por processos manuais de envelhecimento, como tingimentos, dobras e marcas, tornando o próprio papel parte da obra.

Seu trabalho valoriza o silêncio, a contemplação e a beleza encontrada nas pequenas transformações do cotidiano. A transformação nunca é vista como deterioração. É justamente ela que cria significado.

Assumindo, às vezes, pequenas dimensões, as fotos podem ser seguradas na palma da mão ou levadas no bolso da calça, como pequenos amuletos; podem ainda ser guardadas em caixas e formar coleções preciosas, como são as caixas de fotografias de nossos pais e avós.

 

Conexão com a coleção: inspira a ideia de transformação da matéria, da passagem do tempo e da beleza das marcas deixadas pelos processos naturais e manuais.

Por serem expostas geralmente através de constelações de fotos pequenas, para vê-las, o espectador precisa diminuir o ritmo, aproximar o corpo e dedicar atenção. Ao visitar uma loja Handred, propomos a mesma relação entre o visitante e nossas peças: ritmo calmo, aproximação com o corpo e atenção aos detalhes. 


Conheça as peças do Preview Verão.

Conheça mais sobre os artistas:
https://www.noguchi.org/

https://www.yamamotomasao.com/

Texto: Luísa Pollo.