Um Olhar Sobre o Japão, por André Namitala

Eis o começo de uma longa viagem da qual não se retorna o mesmo.
Um encontro onde expectativas criadas são constantemente quebradas e o olhar precisa reaprender. A viagem me fez perceber que o passado, o presente e o futuro não são lugares distintos. A natureza é ancestral. O trabalho manual, futurista.

O primeiro encontro é com a observação. Silenciosa e barulhenta, a contemplação é múltipla.

A água inaugurou esse percurso e foi meu primeiro espelho simbólico das alterações. É energia, caminho, é vapor, solidez e também oceano; continua sendo água enquanto abandona continuamente sua forma. São marés eternas.

Conforme o olhar e a viagem evoluíam, elementos e cores surgiam.

Fui capturado por uma espécie de grande teia estética. Não era preciso grandes eventos ou acontecimentos, a beleza estava ali, em cada fração do dia, presente no utilitário e no funcional.

Por um instante me transportei para a geometria têxtil japonesa tradicional que me remeteu às curvas e aos desenhos do movimento Art Déco.

A proporção é um acessório. Esta é uma coleção de muitos detalhes, mas que também se inspira na limpeza, no volume e no brutalismo precioso e bem acabado de Tadao Ando, que criou grandes espaços para reverenciar a arte.

É leve, transparente e também sólida. É recortada e marcante como os mármores e papéis esculturais de Isamu Noguchi.
É meditativa e instigante como Naoshima e Teshima.
Traz o ritmo agitado e a ampla alfaiataria dos corpos em movimento em Tokyo.

É artesanal e guardiã do manual, como nos sentimos aqui no Brasil. É um olhar afetuoso a Kyoto e suas oficinas históricas, seus templos e montanhas.

Foi feita a travessia e retornamos transformados. Vapor em Curso é, primariamente, uma declaração de amor, antes platônico, ao Japão, que só agora começa a se desvendar.

André Namitala, Diretor Criativo.